Fevereiro
Com o objetivo de reduzir o número de mortes maternas e infantis na Baixada, coordenadores municipais do PAISMCA – Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, Criança e Adolescente –, se reuniram no dia 08, na sede do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Baixada Fluminense – Cisbaf, para a primeira reunião da Câmara Técnica Materno-Infantil com o propósito de planejar a implantação do Projeto Cegonha na região. O projeto, que vai oferecer atenção à saúde da mulher e da criança, é uma das prioridades da área da saúde do Governo da Presidenta Dilma Rousseff.
O Projeto Cegonha prevê qualificar o pré-natal oferecendo sete consultas durante a gestação, atendimento humanizado e especializado por equipe multidisciplinar, pré-agendamento do parto na maternidade, visita da mãe à maternidade onde seu bebê irá nascer, criação de grupos de apoio, orientação e estímulo à mãe ao aleitamento materno, além de acompanhamento do desenvolvimento e crescimento da criança pelo serviço de puericultura que será criado em todas as unidades. A outra novidade é a disponibilização de um call center para remoção das gestantes no momento do parto que não tenham condições de se deslocarem até a maternidade e da maternidade para a casa com o bebê. Todos esses avanços visam reduzir a taxa de mortalidade materna e infantil na região. Em 2009 foram registrados 44 óbitos maternos.
De acordo com a assessora técnica do Cisbaf, Marialva Cianeli, o consórcio quer agregar outros benefícios, como a entrega de um kit bebê e uma bolsa alimentação mensal por um período de seis meses para as mães que cumprirem todo o cronograma estabelecido. “Sabemos da baixa adesão das mães no atendimento ambulatorial após o parto. A entrega de uma bolsa alimentação funcionaria como um estímulo e, principalmente, seria uma fonte de qualificação da alimentação desta mãe em aleitamento materno”, explica.
Durante o encontro, os técnicos debateram sobre os principais desafios encontrados na área, como o alto déficit de leitos obstétricos que chega a 500, a baixa adesão dos médicos ao programa, o desestímulo das equipes pelas precárias condições de trabalho, dentre outras. O grupo propôs o acompanhamento pela Câmara Técnica Materno-Infantil da execução do programa nas unidades, bem como a contratualização por metas de desempenho que serão avaliadas e gratificadas a toda a equipe do núcleo materno-infantil. Outra questão levantada pelas coordenações do PAISMCA da região e bastante discutida foi a enorme burocracia exigida pelo Governo do Estado para a internação de gestantes no Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti. O assunto será encaminhado à próxima reunião do Colegiado de Gestão Regional – CGR.
Cabe agora aos municípios levantar as informações sobre a assistência materno-infantil, como a quantidade de leitos de baixo e alto risco, estimativa do número de gestantes atendidas e tempo médio de internação, custos, dentre outros dados. Com estas informações será possível identificar a oferta, a demanda e o déficit dos municípios. Este relatório será utilizado, posteriormente, na elaboração do projeto regional que será apresentado ao governo federal a fim de buscar recursos de investimento.